segunda-feira, 17 de maio de 2010

Superstições e Crendices - III

Note-se que não se exerce nenhuma destas acções sem que sejam acompanhadas de um certo ritualismo e orações destrambelhadas. E ainda não falamos de lobisomens que de noite apareciam pelos caminhos e encruzilhadas, transformados em pipas, carros, burros, rebanhos, cães, etc., … conforme o primeiro rasto que o infeliz encontrasse ao sair de casa para dar começo ao seu fado. Era uma grande sorte para ele haver alguma alma generosa que o picasse para lhe desfazer aquele fado.
Nem falamos das bruxas que entravam pelo buraco da fechadura a chupar meninos, ou vagueando pelo ar lançando pela boca lufadas ou fogachos de lume azul, ou ainda mesmo banhando-se na Ria, ou dançando nos barcos estacionados na borda. Ainda hoje se citam os nomes dos visionários; citam-se também com todas as letras os nomes dos lobisomens e das bruxas que viveram neste mundo, e que foram para a eternidade com aquele infamante labéu, que os faria sofrer muito, mas de quem a ignorância estúpida ainda hoje se não compadece, dizendo sempre, que havia e há coisas. Pois há!...
- Ainda hoje muita gente reza assim ao nascer do sol, de cabeça descoberta: “Sol claro e dia, assim como deixastes passar a noite, deixai-me também passar o dia – Padre-Nosso, Ave-Maria”. “Em louvor do sagrado nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo – Padre-Nosso, Ave-Maria”.
-Ao por do sol: “Deixai-me passar a noite, assim como me deixaste passar o dia – Padre-Nosso, Ave-Maria”. “Em louvor da sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo – Padre-Nosso, Ave-Maria”.
- Quem bocejava benzia-se dizendo: “Benza-me Deus seis vezes, que é para toda a semana”.
- Outras vezes fazia-se o sinal da cruz com o dedo polegar sobre a boca para o inimigo (diabo) não entrar.
- As mães benzem do mesmo modo e em idênticas condições a boca da criança, repetindo por três vezes a frase: “Benza-te Deus”.
- Às estrelas cadentes ainda se faz a seguinte deprecação: “Deus te guie… Deus te ampare”.

(Continua)

In “Monografia da Gafanha” do Padre João Vieira Rezende.

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